No dia em que piso de novo o 4pilares, a esfera da educação chove com notícias cada uma mais chocante que a outra. À parte da guerra entre o ME e os professores que não cessa, e esta luta de braço de ferro continua na mesma desde a última vez que escrevi sobre isso aqui e aqui, sem desenrolar; outras noticias entram.
Hoje a ler as notícias da manhã deparo-me com uma notícia do público, que pode ser lida na íntegra aqui:
“Escola de Darque passou um aluno com nove
negativas e garante que foi a melhor solução”.
O Maxilar inferior imediatamente caiu, fiquei de boca aberta. Qual é o caminho que a Educação em Portugal está a fazer? Uma das justificações dadas pela Escola responsável foi feita por Augusto Sá, Director do Agrupamento de Escolas de Monta da Ola, em Darque, Viana do Castelo; em que este afirmou que “para decidir se um aluno “passa” não basta “somar” as positivas e as negativas. (…) Há um percurso, há um contexto, há uma família… E a decisão de passar José “teve em conta” tudo isso”.
Sublinho que o “passa” está entre aspas porque hoje é mais pedagógico usar a nomenclatura “transitar”, porque passar é da velha guarda, é feio, e remonta aos tempos da boa educação!
Não posso deixar de comentar a afirmação “se um aluno “passa” não basta “somar” as positivas e as negativas”. Não?? No meu tempo era isso mesmo, com mais de três negativas não podia transitar para o ano seguinte, muito menos se delas fizessem parte Português e Matemática, como é o caso.
Sou a favor, e nunca demonstrei o contrário, da importância de se atender à cultura, ao contexto, ao macrositema em que as crianças estão inseridas, no entanto, este atender deve ser feito ao longo do ano lectivo. Se a criança apresenta problemas ou dificuldades é ajuda-la na altura e não deixar a situação arrastar para chegar ao ponto de passar o jovem com nove negativas. Se fosse tão importante assim para a referida escola atender ao contexto do jovem, que é complicado, o acompanhamento da criança deveria ter sido feito de outro modo para ela conseguir o sucesso nas disciplinas. Todas as crianças/jovens têm contextos, muitos chumbam por consequência dos mesmos, outros não. Pior que chumbar é progredir sem saber. São estes o nosso futuro!
A verdade é que a nossa lei em vigor não estabelece limite de negativas para anos que não correspondem a fim de ciclo escolar e diz que só em última instância se deve chumbar no básico. (não sei porquê!)
Que frente fazer quando se vem a sublinhar o facilitismo e a descredibilização da educação em Portugal? Onde vai o tempo que se estudava para saber, para mudar o futuro? Hoje muitos não sabem falar a nossa língua, porque é muito mais cool andar por aí a dar uns giros, a ver uns/umas babes, do que querer saber seja o que for da nossa História, ou conseguir somar dois mais dois.
Já passamos pela geração rasca, agora há quem já nomeie esta a geração Sócrates, em que o slogan é formar analfabetos desde que isso os faça feliz.
Como futura pedagoga, entristece-me que estas situações levem a que as pessoas acreditem cada vez menos na nossa profissão. Apenas espero que nós, que acreditamos nela, sejamos capazes de nunca parar de a valorizar e lutar para que seja valorizada.