4 Pilares



28 Dec 10

Crescer é um caminho que implica um conjunto de desafios a que nos propomos involuntariamente. Nem todos o desafios são fáceis de ultrapassar, mas em todos devemos persistir na sua resolução.

Em todas as idades surgem os desafios. Desde o nascimento até à morte somos prendados por eles. Prendados porque são esses desafios que nos permitem evoluir… é a partir desses desafios que construímos a nossa personalidade, é perante esses desafios que experimentamos; e  definitivamente “nós somos as nossas experiências de vida” (Ramiro Marques, 2008).

Por muito que pesquisasse, nunca tive sucesso em encontrar um blog ou site que retratasse verdadeiramente o crescer na creche. Ainda é uma fase da vida em que se dá pouca importância e se sublinha que a única preocupação a ter deve ser a segurança e o bem-estar das crianças mais novas.

O blog Creche - Cresce e Educa é um convite à reflexão sobre a pedagogia em creche. Para todos os que gostam de desafios, que queiram reflectir, ou ajuda na reflexão, sobre as suas práticas pedagógicas. Para todos aqueles pedagogos que acreditam que as crianças são capazes de tudo se nós acreditarmos nelas.

Boas leituras

Patrícia Santos

07 May 10

Gostava de aconselhar às leitoras deste blog o Arzebiu aos Molhos. Um blog feito por um homem que está a começar a vida a dois e que vai contando todas as suas peripécias.

17 Jan 10

Quando me virem a montar blocos
A construir casas, prédios, cidades
Não digam que estou só a brincar
Porque a brincar, estou a aprender
A aprender sobre o equilíbrio e as formas
Um dia, posso vir a ser engenheiro ou arquitecto.
 
Quando me virem a fantasiar
A fazer comidinha, a cuidar das bonecas
Não pensem que estou só a brincar
Porque a brincar, estou a aprender
A aprender a cuidar de mim e dos outros
Um dia, posso vir a ser mãe ou pai.
 
 
Quando me virem coberto de tinta
Ou a pintar, ou a esculpir e a moldar barro
Não digam que estou só a brincar
Porque a brincar, estou a aprender
A aprender a expressar-me e a criar
Um dia, posso vir a ser artista ou inventor.
 
Quando me virem sentado
A ler para uma plateia imaginária
Não riam e achem que estou só a brincar
Porque a brincar, estou a aprender
A aprender a comunicar e a interpretar
Um dia, posso vir a ser professor ou actor.
 
Quando me virem à procura de insectos no mato
Ou a encher os meus bolsos com bugigangas
Não achem que estou só a brincar
Porque a brincar, estou a aprender
A aprender a prestar atenção e a explorar
Um dia, posso vir a ser cientista.
 
Quando me virem mergulhado num puzzle
Ou nalgum jogo da escola
Não pensem que perco tempo a brincar
Porque a brincar, estou a aprender
A aprender a resolver problemas e a concentrar-me
Um dia posso vir a ser empresário.
 
Quando me virem a cozinhar e a provar comida
Não achem, porque estou a gostar, que estou só a brincar
Porque a brincar, estou a aprender
A aprender a seguir as instruções e a descobrir as diferenças
Um dia, posso vir a ser Chefe.
 
Quando me virem a pular, a saltar a correr e a movimentar-me
Não digam que estou só a brincar
Porque a brincar, estou a aprender
A aprender como funciona o meu corpo
Um dia posso vir a ser médico, enfermeiro ou atleta.
 
Quando me perguntarem o que fiz hoje na escola
E eu disser que brinquei
Não me entendam mal
Porque a brincar, estou a aprender.
A aprender a trabalhar com prazer e eficiência
Estou a preparar-me para o futuro.

Hoje, sou criança e o meu trabalho é brincar.

Anita Wadley

23 Sep 09

1. “Proibido insultar o jardim-de-infância chamando-lhe “escolinha”. Em primeiro lugar, porque é uma escola. Em segundo, porque todas as escolas ganhavam se ligassem Brincar com aprender.

2. É proibido que os pais imaginem que o jardim-de-infância serve para aprender a ler e contar. Ele é útil para aprender a descobrir os sentimentos. Para aprender a imaginar e a fantasiar. Para aprender com o corpo, com a música e com a pintura. E para brincar. Uma criança que não brinque deve preocupar mais os pais do que se ela fizer uma ou outra birra, pela manhã ao chegar.

3. O jardim-de-infância assusta as crianças sempre que os pais – como quem sossega nelas os medos deles por mais um dia de jardim-de-infância - lhes repetem: ” Hoje vai correr tudo bem!”

4. Os pais estão proibidos de despedir-se muitas vezes das crianças, ao chegarem todos os dias. E é bom que se decidam: ou ficam contentes por elas correrem para os amigos ou ficam contentes por elas se agarrarem ao pescoço deles, com se estivessem prestes a ser abandonadas para sempre.

5. É proibido que as crianças vão dia-sim dia-não ao jardim-de-infância. E que vão, simplesmente, quando os seus caprichos infantis vão de férias. E que não vão ” só porque sim”. O jardim-de-infância não é um trabalho para os mais pequenos. É uma bela oportunidade para os pais não se esquecerem que se pode amar o conhecimento, namorar com a vida, nunca ser feliz sozinho e brincar, ao mesmo tempo.

6. No jardim-de-infância não é obrigatório comer até à última colher; nem dormir todos os dias. E não é nada mau que uma criança se baralhe e chame pai/mãe ao educador/a (ou vice-versa).
7. Os pais estão obrigados a estar a horas quando se trata duma criança regressar a casa. Prometer e faltar devia dar direito a que os pais fossem sujeitos classificados como tendo necessidades educativas especiais.

8. Os pais não podem exigir aos filhos relatórios de cada dia de jardim-de-infância. Mas estão autorizados a ficar preocupados se as crianças forem ficando mais resmungonas, mais tristonhas ou, até, mais aflitas, sempre que regressam de lá. E estão, ainda, autorizados a proibir que o jardim-de-infância só se abra para eles durante as festas.

9. O jardim-de-infância é uma escola de pais. E um lugar onde os educadores são educados pelas crianças. Um lugar onde todos se educam uns aos outros não é uma escola como as outras. É um jardim-de-infância.

10. Um dia, num mundo mais amigo das crianças, todas as escolas serão jardins-de-infância!”

Eduardo Sá

22 Jul 09

Tenho um monte de papeis para organizar deste ano que passou. Mas agora que já estou mais livre não pude deixar de, literalmente, colocar as mãos na massa!

Já partilhei uma das minhas receitas preferidas: os suspiros, aqui; hoje trago bolachas com pepitas de chocolate!

Tenho pena que não dê para ver o fumo a sair das bolachas, porque aqui ainda estão quentes.

Quando apresentei os suspiros, recebi alguns comentários a pedir a receita. Por isso, vou partilhar a receita das bolachas:

Massa:

200g de manteiga sem sal

125g de açúcar

1 ovo

uma pitada de sal

300g de farinha

1 colher de chá de fermento em pó

Bate-se a manteiga com o açúcar até obter um creme esbranquiçado. Junta-se o ovo e a pitada de sal. De seguida vai-se juntando a farinha com o fermento em pó. Juntam-se as pepitas e vai ao forno, 20 minutos, em forno brando, cerca de 170º. Deixe as bolachas com cerca de 5 cm de distâncias, que eles tendem a expandir o perímetro durante a cozedura. Quando as retirar do forno, disponha-as sobre uma rede até ficarem frias.

Na receita original diz para untar o tabuleiro, eu deixei de fazer isso quando descobri o papel vegetal. Além de ser mais higiénico, as bolachas não saem com o sabor a farinha e manteiga por fora!

As pepitas já existem à venda, mas além de as que vêem mais serem de chocolate preto, em comparação a quantidades acaba por ficar mais caro. Por isso, enquanto os ingredientes estão na batedeira eu prefiro agarrar numa tablete de chocolate de leite e cortar.

Bon apetit, e partilhem a experiência!

21 Jul 09

No dia em que piso de novo o 4pilares, a esfera da educação chove com notícias cada uma mais chocante que a outra. À parte da guerra entre o ME e os professores que não cessa, e esta luta de braço de ferro continua na mesma desde a última vez que escrevi sobre isso aqui e aqui, sem desenrolar; outras noticias entram.

Hoje a ler as notícias da manhã deparo-me com uma notícia do público, que pode ser lida na íntegra aqui:

“Escola de Darque passou um aluno com nove

negativas e garante que foi a melhor solução”.

O Maxilar inferior imediatamente caiu, fiquei de boca aberta. Qual é o caminho que a Educação em Portugal está a fazer? Uma das justificações dadas pela Escola responsável foi feita por Augusto Sá, Director do Agrupamento de Escolas de Monta da Ola, em Darque, Viana do Castelo; em que este afirmou que “para decidir se um aluno “passa” não basta “somar” as positivas e as negativas. (…) Há um percurso, há um contexto, há uma família… E a decisão de passar José “teve em conta” tudo isso”.

Sublinho que o “passa” está entre aspas porque hoje é mais pedagógico usar a nomenclatura “transitar”, porque passar é da velha guarda, é feio, e remonta aos tempos da boa educação!

Não posso deixar de comentar a afirmação “se um aluno “passa” não basta “somar” as positivas e as negativas”. Não?? No meu tempo era isso mesmo, com mais de três negativas não podia transitar para o ano seguinte, muito menos se delas fizessem parte Português e Matemática, como é o caso.

Sou a favor, e nunca demonstrei o contrário, da importância de se atender à cultura, ao contexto, ao macrositema em que as crianças estão inseridas, no entanto, este atender deve ser feito ao longo do ano lectivo. Se a criança apresenta problemas ou dificuldades é ajuda-la na altura e não deixar a situação arrastar para chegar ao ponto de passar o jovem com nove negativas. Se fosse tão importante assim para a referida escola atender ao contexto do jovem, que é complicado, o acompanhamento da criança deveria ter sido feito de outro modo para ela conseguir o sucesso nas disciplinas. Todas as crianças/jovens têm contextos, muitos chumbam por consequência dos mesmos, outros não. Pior que chumbar é progredir sem saber. São estes o nosso futuro!

A verdade é que a nossa lei  em vigor não estabelece limite de negativas para anos que não correspondem a fim de ciclo escolar e diz que só em última instância se deve chumbar no básico. (não sei porquê!)

Que frente fazer quando se vem a sublinhar o facilitismo e a descredibilização da educação em Portugal? Onde vai o tempo que se estudava para saber, para mudar o futuro? Hoje muitos não sabem falar a nossa língua, porque é muito mais cool andar por aí a dar uns giros, a ver uns/umas babes, do que querer saber seja o que for da nossa História, ou conseguir somar dois mais dois.

Já passamos pela geração rasca, agora há quem já nomeie esta a geração Sócrates, em que o slogan é formar analfabetos desde que isso os faça feliz.

Como futura pedagoga, entristece-me que estas situações levem a que as pessoas acreditem cada vez menos na nossa profissão. Apenas espero que nós, que acreditamos nela, sejamos capazes de nunca parar de a valorizar e lutar para que seja valorizada.

21 Jul 09

Bem e mais um ano terminou. Estou a 12 meses de acabar o meu curso!

O caminho foi difícil, confesso, mas quem corre por gosto não cansa. Este ano teve muitos espinhos, mas foram tudo obstáculos que me fizeram crescer. Num balanço geral, todo o stress, todas as lágrimas valeram a pena! Mas o 3º ano já foi, e agora é abrir os braços e receber o que 4º ano, e último, que se aproxima.

Quando vim verificar como andava o meu cantinho, já tinha quase 80 comentários!! A verdade é que tive bastante tempo sem cá vir, porque estava completamente concentrada na minha formação, mas quero agradecer a todos os meus leitores pelas palavras que deixaram. Alguns fizeram sugestoes interessantes, que vou tentar cumprir.

Mais uma vez obrigada a todos e

Boas leituras

\o

13 Apr 09

Nos próximos dias 23 e 24 de Abril irá realizar-se uma conferência, na Fundação Calouste Gulbenkian.

A mesma incidirá na formação profissional, na gestão e perspectivas curriculares e mais uma série de assuntos.

Se tudo correr bem, eu lá estarei!

Para mais informações vão ao site da Conferência Nacional de Educadores de Infância. Podem ver o programa na integra, ainda informa o local e acessos ao mesmo, apresenta a comissão cientifica e ainda se podem inscrever. As inscrições não estão a funcionar. Já mandei um e-mail a perguntar o porquê mas ainda não obtive resposta. Quanto ao pagamento, não sei, o site também não informa, mas também perguntei no e-mail. Assim que tiver novidades, aviso!

Boas leituras \o

07 Mar 09

Recebi um e-mail interessante. Mesmo desconhecendo a sua veracidade, com certeza que se encontra fundo de razão e lógica. É realmente um tópico muito importante nos nossos dias. As estatísticas, apostam que os pais passam junto dos seus filhos apenas 10 minutos por semana. Neste tempo não é contabilizado o facto de a crianças estar a brincar ou a fazer trabalhos de casa enquanto os pais arrumam a cozinha ou vêem televisão, é mesmo o tempo em que os pais se disponibilizam inteiramente aos filhos. O que é um número completamente descabido. E por isso acho que o texto é realmente uma chamada de atenção.
Aqui fica.

“Mário Cordeiro, pediatra, disse na semana passada numa conferência organizada pelo Departamento de Assuntos Sociais e Culturais da Câmara Municipal de Oeiras, que muitas birras e até problemas mais graves poderiam ser evitados se os pais conseguissem largar tudo quando chegam a casa para se dedicarem inteiramente aos seus filhos durante dez minutos. Ao fim do dia os filhos têm tantas saudades dos pais e têm uma expectativa tão grande em relação ao momento da sua chegada a casa que bastava chegar, largar a pasta e o telemóvel e ficar exclusivamente disponível para eles, para os saciar. Passados dez minutos eles próprios deixam os pais naturalmente e voltam para as suas brincadeiras. Estes dez minutos de atenção exclusiva servem para os tranquilizar, para eles sentirem que os pais também morrem de saudades deles e que são uma prioridade absoluta na sua vida. Claro que os dez minutos podem ser estendidos ou até encurtados conforme as circunstâncias do momento ou de cada dia. A ideia é que haja um tempo suficiente e de grande qualidade para estar com os filhos e dedicar-lhes toda a atenção.

Por incrível que pareça, esta atitude de largar tudo e desligar o telemóvel tem efeitos imediatos e facilmente verificáveis no dia-a-dia. Todos os pais sabem por experiência própria que o cansaço do fim de dia, os nervos e stress acumulados e ainda a falta de atenção ou disponibilidade para estar com os filhos, dão origem a uma espiral negativa de sentimentos, impaciências e birras.

Por outras palavras, uma criança que espera pelos pais o dia inteiro e, quando os vê chegar, não os sente disponíveis para ela, acaba fatalmente por chamar a sua atenção da pior forma. Por tudo isto e pelo que fica dito no início sobre a importância fundamental que os pais-homem têm no desenvolvimento dos seus filhos, é bom não perder de vista os timings e perceber que está nas nossas mãos fazer o tempo correr a nosso favor.

in Boletim de Julho da Acreditar

19 Feb 09

Um velho carpinteiro estava pronto para se aposentar.
Ele informou ao seu chefe, o seu desejo de sair da indústria de construção e passar mais tempo com sua família. Ele ainda referiu que sentiria falta do salário, mas realmente queria se aposentar.

A empresa não seria muito afectada pela saída do carpinteiro, mas o chefe estava triste em ver um bom funcionário a sair e pediu ao carpinteiro para trabalhar em mais um projecto como um favor.

O carpinteiro concordou, mas era fácil ver que ele não estava entusiasmado com a ideia.
Ele prosseguiu fazendo um trabalho de segunda qualidade e usando materiais inadequados.

Foi uma maneira negativa dele terminar sua carreira. Quando o carpinteiro acabou, o chefe veio fazer a inspecção da casa. De seguida entregou a chave da casa para o carpinteiro e disse:
“Esta é a sua casa. Ela é o meu presente para você”.

O carpinteiro ficou muito surpreso. Que pena! Se ele soubesse que ele estava construindo sua própria casa, ele teria feito tudo diferente.

O mesmo acontece connosco. Nós construímos a nossa vida, um dia de cada vez e muitas não investindo o máximo possível na construção.
Depois com surpresa, descobrimos que até precisamos viver na casa que nós construímos.

E apenas aí reflectimos: se nós pudéssemos fazer tudo de novo, faríamos tudo diferente.
Mas não podemos voltar atrás.

Tu és o carpinteiro.
Todos os dias martelas pregos, ajustas tábuas e constróis paredes.
Alguém disse que “A vida é um projecto que você mesmo constrói”.
As atitudes e escolhas de hoje, constroem a “casa” em que moramos amanhã.

Constrói com Sabedoria!

Pr Valtair Freitas